Tudo o que me apeteça dizer sem exclusão de temáticas ou conteúdos, através de textos que tanto podem ser crónicas, contos, poesia, ficção, diários, ou meros pensamentos surgidos no momento.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Que dizer?
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Percebes?
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
A mão
(Cristo-Rei - Almada 2008)
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Desejando as vésperas
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Pelo sonho é que vamos?
domingo, 26 de outubro de 2008
Messieur de La Palice (revisitado)
Pedra Filosofal - Rómulo de Carvalho/António Gedeão
sábado, 25 de outubro de 2008
Palavras na madrugada
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Reviver não é viver de novo.
domingo, 19 de outubro de 2008
O mundo em mim
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
América do Sul - Uma viagem anunciada
Como já vem sendo hábito, guardei para o final do ano metade dos dias de férias a que tenho direito. Desta vez, para não variar muito, viajarei de novo para a América do Sul, para zonas onde o alvorecer do Verão ainda está para acontecer. Em muita coisa, sobretudo nas estações climatéricas, eles andam mesmo ao contrário de nós. Por exemplo, nas zonas mais a sul do Brasil, no Paraguai e no norte da Argentina, a Primavera começou no mesmíssimo dia em que para os europeus começou o Outono; e ter dois Verões num ano é uma dádiva que, se me for possível, não quero perder. Começarei por Madrid - a Ibéria, para quem não saiba, talvez devido ao imenso fluxo de passageiros que mantém com esta zona planetária, é a companhia aérea onde se conseguem as melhores promoções - e depois seguirei rumo ao continente sul-americano. Perdi-me de amores pelo colorido daquelas gentes, pelo seu calor festivo e constante, pelo bem receber e positivismo que emanam. Eles, ao contrário de nós, depressivos congénitos, profetas da desgraça, filhos do Fado e das malquerenças da vida, para quem já nem o afogar-se em consumos basta, ainda riem - quantas vezes sem terem motivos para tal. É tudo uma questão de atitude. Enquanto nós europeus "civilizadissímos" achamos que é coisa de péssimo tom conhecer os vizinhos do lado, confraternizar com os condóminos do prédio e organizar churrasquinhos no quintal, ou mesmo na parte dianteira do edificío, os latino-americanos, e comummente os brasileiros, acham que a sociabilidade intensa faz parte da vida e que quase tudo é motivo de festejo. Eu não sou nada assim, talvez me situe até nas antípodas do ser que confraterniza com facilidade. Mas naquele ambiente tudo é diferente e, malgrado as chagas do crime, violência e corrupção, aliados a estados de pobreza congénita que assolam grande parte da população, posso-vos jurar a pés juntos que eles são muito mais felizes do que nós. Têm essa capacidade e esse espiríto.Para esconjurar sentimentos de tristeza que a perda recente de um amigo me trouxeram, e porque a vida tem de ser vivida e continuada, apesar de tudo, nada melhor do que apimentar as ideias com um plano de férias, ainda que falte quase um mês para o almejado acontecimento. Vou ressuscitar o Verão, sentir de novo os quentinhos do sol a doirarem-me a pele, o brilho da luz na crista das ondas e vestir-me como um mendigo que é, sem sombra de dúvida, das coisas que mais gozo me dá fazer.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Para o M
Faz muito tempo que não ia a Almada, cidade onde morei desde tenra idade até ao fim da minha adolescência. Soube que, há quatro meses, um amigo de longa data, minado por uma doença terrível, encontrava-se na antecâmara da morte. Condiscípulos na escola primária e posteriormente no ensino secundário, nunca deixámos de estar juntos, até que ele se ficou pelo propedêutico e eu continuei os estudos para a Universidade. Quase sempre nos encontrávamos no findar das aulas, íamos beber um copo juntos, ouvir música, falar das nossas vidas e em geral dos problemas e anseios que atormentam a mente de jovens com a nossa idade. A ignorância e, sobretudo, a inocência, faziam-nos falar de tudo. Foi naquele tempo que fiz públicos alguns dos meus versos e, vagueando pelas ruas, reliamo-los os dois com uma ilusão que nunca mais voltará. A nossa amizade era valente. Ambos artistas por temperamento, os nossos sonhos floreavam-se de projectos literários a longo prazo e líamos e comentávamos textos, com um copo de cerveja numa mão e um cigarro na outra. E, sobretudo, riamos. Riamos muito. Eu, já à data, no fundo dos meus olhos tinha sempre uma tristeza, talvez a herança de uma meninice embebida de sofrimento. Ele, pelo contrário, dizia alarvidades, ria desbragadamente até ao choro, e fazia-me rir e esquecer todas as maleitas. Hoje que ele vai partir, e eu fico, sei que encarou a doença que lhe esfacelou os pulmões com um ar de resignação alegre, como se a morte fosse para ele libertação, mas não compreendo o motivo. A única justificação que encontro reside no facto de ele ter sido sempre crente, pois nas últimas visitas que lhe fiz, passou em nossas conversas, como numa pantalha, toda a amizade que tínhamos mantido como uma lâmpada acesa. Disse-me crer em Deus todo poderoso. Disse-me, também, que a única mulher que tinha amado em toda a sua vida era casada; e que esse amor era mais forte do que todas as suas convicções e crenças. E eu sei de quem se trata e esse segredo morrerá com ele, e também comigo.
A foto do Tejo ao cair da tarde, com a Ponte 25 de Abril ao fundo, homenageia as longas conversas que mantínhamos no miradouro do Jardim do Castelo de Almada, nas noites quentes de Verão, com o luzaréu de Lisboa iluminando a água e os nossos rostos, sob o ruído de fundo do rodado dos automóveis sobre o tabuleiro da ponte. Ambos falávamos de poesia, de amor e, sobretudo, de um mundo transcendental que a autoridade dos implumes conhecimentos de Filosofia nos conferia. De tal sorte era a nossa soberba que nos aventurávamos em ensaios intermináveis com a convicção absoluta de que, finalmente, tínhamos ganho o mundo das ideias só para nós. Ele era Platão, eu Emmanuel Kant; o que não significa que não trocássemos de posição de quando em quando.
M., eu ainda fico por cá e jamais te esquecerei, simplesmente não consigo é escrever mais uma linha que seja sobre a nossa grande amizade sem que os lábios me tremam e as lágrimas me tramem.
PS. Espero que o meu retorno a este espaço de escrita - ainda que nunca tenha deixado de publicar textos algo datados para ilustrar fotos de posts - não tenha sido somente por necessidade de catarse e surjam, também, alguns escritos com luz. Quem sabe, por este andar, não fico um dia como aquele amante, vencedor da própria morte, que a amada já estava morta e ele ainda lhe escrevia cartas de amor.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Negro


