O computador veio tornar possível elaborar muitos mais textos do que quando usava a máquina de escrever, ou a caneta. E esta máquina fabulosa, quando ligada à Internet, pode dispensar-me de qualquer contacto real com os destinatários dos meus textos. Hoje em dia, com a automação de muitas tarefas e o facilitismo que era suposto elas nos proporcionarem, em vez de ganharmos tempo para o lazer, o ócio, passamos o dia, a semana, o tempo todo a acelerar, a produzir. Em vez de desfrutar da vida, que é só uma, irrepetível, com termo incerto, consumimo-la. Acontece que o tempo não se perde nem se ganha, ele simplesmente passa e a única coisa que nos convida é que o aproveitemos, não no sentido de fazer o maior número de coisas possíveis, mas no de o gozar. O respirar. O viver. O deleitarmo-nos preguiçosamente e com detalhe numa actividade, fica muitas vezes prejudicado pelo afã de fazer muita coisa. E às vezes esta necessidade frenética de nos mantermos sempre ocupados, mais não é do que uma forma sub-consciente de anestesiarmos pensamentos, infelicidades, ausências, e/ou colmatarmos carências de outra ordem. O melhor que temos a fazer é aproveitarmos para dar um novo rumo à nossa vida, esquecendo que ela é finita, e concebendo os nossos sonhos como concretizações ainda capazes de ter lugar na réstia do tempo. Mas para tal é necessário apelar à coragem, à incomodidade, pois sem estes atributos a funcionarem em pleno não conseguimos mudar seja o que for.
Tudo o que me apeteça dizer sem exclusão de temáticas ou conteúdos, através de textos que tanto podem ser crónicas, contos, poesia, ficção, diários, ou meros pensamentos surgidos no momento.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Uma vida a correr...
O computador veio tornar possível elaborar muitos mais textos do que quando usava a máquina de escrever, ou a caneta. E esta máquina fabulosa, quando ligada à Internet, pode dispensar-me de qualquer contacto real com os destinatários dos meus textos. Hoje em dia, com a automação de muitas tarefas e o facilitismo que era suposto elas nos proporcionarem, em vez de ganharmos tempo para o lazer, o ócio, passamos o dia, a semana, o tempo todo a acelerar, a produzir. Em vez de desfrutar da vida, que é só uma, irrepetível, com termo incerto, consumimo-la. Acontece que o tempo não se perde nem se ganha, ele simplesmente passa e a única coisa que nos convida é que o aproveitemos, não no sentido de fazer o maior número de coisas possíveis, mas no de o gozar. O respirar. O viver. O deleitarmo-nos preguiçosamente e com detalhe numa actividade, fica muitas vezes prejudicado pelo afã de fazer muita coisa. E às vezes esta necessidade frenética de nos mantermos sempre ocupados, mais não é do que uma forma sub-consciente de anestesiarmos pensamentos, infelicidades, ausências, e/ou colmatarmos carências de outra ordem. O melhor que temos a fazer é aproveitarmos para dar um novo rumo à nossa vida, esquecendo que ela é finita, e concebendo os nossos sonhos como concretizações ainda capazes de ter lugar na réstia do tempo. Mas para tal é necessário apelar à coragem, à incomodidade, pois sem estes atributos a funcionarem em pleno não conseguimos mudar seja o que for.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Madrigal em Quarentena
| Aldeia do Piódão - Novembro de 2010 |
Muito mais do que um mero gesto de cortesia que, desde pequenos, nos é apresentado como fazendo parte da "boa educação", agradecer aquilo que a vida nos dá torna mais fluída a energia que existe no interior de nós mesmos. E esse sentimento de apreciação grata, relativamente aos benefícios recebidos, é uma expressão da alma. Por mim falo. A cólera aumenta os níveis de colesterol, dilata a possibilidade de se vir a padecer de um acidente vascular cerebral, ou de um enfarte do miocárdio. O inevitável, mais do que tudo, é uma verdade semântica; então para quê consumirmos as nossas preciosas energias com seres medíocres que outra coisa não pretendem senão despoletar-nos uma reacção: o estímulo (provocação) - resposta (cólera). Porque não contrariar o efeito (por eles) desejado e deixar que um sorriso daviniano anoiteça no nosso semblante? Eu não quero a guerra, muito menos se estiver instalada dentro de mim. E há sempre muito a fazer para evitar ou amortizar um conflito. Afinal o que mais importa é a forma como nós nos vemos, não as considerações que os outros tecem sobre nós. Se a nossa estima estiver bem cuidada, com uma roupa bem engomadinha, uns sapatinhos a condizer, ou um perfume delirante, tudo é mais suportável. E no dia em que as coisas não forem assim, é sinal que está na hora de mudar, nem que para isso seja preciso pedir ajuda. Agora vamos todos ver uns landscapes. Vá, fechem os olhos, façam uma forçazinha!
Por uns tempos, cai o pano sobre o Madrigal. O blogue entrou logo no inicio deste ano em quarentena.
domingo, 31 de janeiro de 2010
A propósito de uma frase de Pessoa...
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Diz-me o que tens sobre o criado mudo e dir-te-ei quem és
Um hábito terrível do qual nunca me consegui livrar. Ando a ler vários livros em simultâneo. Desde muito jovem que tem sido sempre assim. A avidez da leitura, a curiosidade irreprimível, levam-me a não conseguir esperar pelo fim de um livro sem começar outro; e então resolvo-me por ler vários ao mesmo tempo. Faço os possiveis para que não sejam todos do mesmo género, pois ser-me-ia difícil não misturar os personagens de diversos romances e o desenlace de histórias intrincadas, mas é com facilidade que leio um livro de contos, um romance de grande folgo, um livro técnico, uma biografia, um romance policial, uma resma de poesia.quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Do valor da amizade
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A solidão - um sentimento pré-fabricado
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Nada. Foi apenas uma brisa que passou por aqui...
terça-feira, 14 de abril de 2009
Palavras III
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Palavras II
domingo, 12 de abril de 2009
Palavras I
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sob o peso das nuvens
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Escrever
Hoje em dia, neste estado de decadência da literatura, dos hábitos de leitura, e do desprezo generalizado pelo cuidado no escrever, ainda há pessoas que redigem de modo descuidado, como se o mero exercício de debitar palavras, quantas vezes vazias de qualquer sentido, ou plenas de vulgaridade, a que se juntam atropelos à sintaxe e à semântica, não fossem alarvidades desnecessárias, mas antes um tesouro que valesse a pena preservar. Escrever é o exercício legítimo de um direito democrático, seja por catarse, por génio criador do escrevente, ou porque motivo for. Todos as causas que levam alguém a escrever são válidas. É, também, para alguns, onde eu me incluo, um mal/bem necessário; mas quem escreve de maneira displicente confessa com isso, antes de tudo, que ele mesmo não atribui grande valor aos seus pensamentos. Pois apenas a partir da convicção da verdade e importância dos nossos pensamentos, surge o entusiasmo que é exigido para buscar sempre, com incansável perseverança, a expressão mais clara, mais bela e mais vigorosa. Acontece isso na prosa e por maioria de razão na poesia. Entristecem-me os ditoches que vejo publicarem-se todos os dias, as aparências de obras literárias, os textos falhos da mínima qualidade, como se o grande afã de algumas pessoas fosse publicar algo escrito por si, por forma a deixar rasto ou, quem sabe, cumprir em vida um dos três mandamentos populares: plantar uma árvore, fazer um filho ou escrever um livro. Há uma certa concessão ao narcisismo - ou carência de aditivo na auto-estima - no que à necessidade de escrever, publicar e, posteriormente, receber os aplausos, respeita. Felizmente que, também, no universo bloguista, ainda se encontra gente com imenso talento e a crítica dirige-se com maior propriedade para as gerações mais novas: aqueles que preferem “comer os alimentos já mastigados por outrem”. Talvez eu esteja a ser demasiado severo, mas a experiência ensinou-me que sempre que baixamos a fasquia das exigências, que para connosco nos propusémos, aumenta a distância entre nós e a qualidade. Exigir sempre mais, nunca se dar por completo de contentamento e nunca perder a necessária humildade, é uma rota que me proponho prosseguir. Que outros, se quiserem, me julguem ou vaiem por isso, mas não creio que vá arrepiar caminho.
domingo, 2 de novembro de 2008
O velho saudosista
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Pelo sonho é que vamos?
domingo, 26 de outubro de 2008
Messieur de La Palice (revisitado)
sábado, 25 de outubro de 2008
Palavras na madrugada
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Sobre a função dos (meus) óculos escuros
sábado, 26 de julho de 2008
A missiva que não seguiu
sábado, 28 de junho de 2008
Sobre o sofrimento cá dentro





