terça-feira, 28 de julho de 2009

Em diferido

Os eventuais posts que forem publicados a partir de hoje, são pré-programados. Trata-se de uma espécie de play off bloguista de que por vezes me socorro quando estou ausente. No entanto, o meu note book, com pen drive de ligação à Internet móvel, vai comigo, para o que der e vier. Até já... [NB. Em viagem pela Europa...]

The most beautiful girl - Charlie Rich

Charlie Rich sempre foi um dos arqui-inimigos do meu pai. Lembro-me como ele ficava zangado quando a minha mãe, sempre que via na televisão o famigerado artista, comentava: "Que homem tão charmoso! E que voz tão sensual! Ah! Quem me dera ter um homem assim!" O pai passava-se dos carretos. Não tinha voz sensual, nem era charmoso, mas sei que gostava de ter um glamour parecido ao do Charlie, apesar de nunca ter feito nada por isso. Ciumento!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Bonanza - Intro (Opening Theme)

Vou comer as papas de milho que já estão a esfriar na mesa. Entretanto o meu irmão já deu mais umas pancadas na caixa do televisor e a imagem melhorou consideravelmente. Desde que o pai colocou a tela azul frente ao ecrán até parece que ficámos com uma televisão a cores! Que feliz eu estou! Bonanza, papas de milho e, de seguida, um passeio na minha "Vilar" vermelha, toda iron maiden, fabricada em Águeda - a terra dos velocípedes. Mal posso conter o riso! Vou viajar até à Ponderosa! Até já!

Direito de resposta

Mantenho uma actividade na blogosfera há cerca de quatro anos e já por uma vez, no passado, me vi obrigado a moderar os comentários e, por fim, a tornar o blog restrito a alguns visitantes. Volvido mais de um ano sobre tais acontecimentos, resolvi tornar o meu espaço de escrita novamente público, na esperança de que pessoas com amarguras infinitas e frustrações de etiologia crónica se afastassem por efeito da exaustão. Ultimamente, sabe-se lá porquê, tenho recebido comentários muito pouco simpáticos aos textos que vou publicando, alguns até demasiado ofensivos, como se uma vingança a efectivar sobre a minha pessoa tivesse de ser levado a cabo. Terei porventura inimigos que desconheça? Há um certo recalcamento nas palavras, uma pungente amargura, que não consigo perceber a causa, pois não conheço de todo os remetentes dos agravos que me são dirigidos. Inclusive, alguns comentaristas, incitam-me a publicar na caixa de comentários os insultos que me dirigem, prazer que, lamento, não lhes vou ofertar; e, curiosamente, as pessoas que derramam tais palavras, ou se apresentam anónimas, ou sob pseudónimos, ou sem perfil público – o que é a mesmíssima coisa; ou, mais raro, devidamente identificados. Seja como for, penso que estas palavras, que me mereceram escrever, devem servir de resposta definitiva a todos quantos pensavam conseguir despoletar em mim uma reacção ao nível do que ultimamente tenho lido. Lamento imenso, e não estou a ser sarcástico, o sofrimento espiritual de muitas pessoas, as frustrações e a amargura que as consome, por não conseguirem ser quem desejavam, mas antes mediocridades a merecerem um dó infinito. Gostava, do coração, que essas pessoas, ao invés de largarem aleivosidades despropositadas acerca daquilo que os outros escrevem, pensam ou sentem, elas mesmas criassem os seus próprios espaços de escrita e dessem largas à suas fantasias e recreações, sem apuparem os outros ou emitirem juízos de desvalor acerca deles.
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Aconselho essas pessoas, que certamente não são gente da escrita, nem amantes da liberdade individual, nem cultivadores da tolerância e da diferença a, por um lado, procurarem, sem preconceitos, ajuda psicológica profissional – é a medida mais correcta quando nós mesmos não conseguimos lidar com as nossas frustrações e conflitos e padecemos de incontinência moral; por outro, a dedicarem-se a actividades mais consentâneas com a singeleza de espírito que as caracteriza, que não passa certamente por percursos nas áreas da leitura e da escrita.
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Acusam-me, inclusive, de ser narcísico – e estas são as palavras mais simpáticas de todas quantas tenho lido – por centrar os textos na primeira pessoa, como seu eu tivesse de dar satisfações a alguém, ou subjugar-me a directivas, sobre o que escrevo ou devo escrever. Enfim, como se um blog não fosse, por excelência, um espaço de narcisismo, de afago do EU, diarista, confessional, de derrame de subjectividades, mas antes um página jornalística, ou um complexo de textos literários, permeável a criticas corrosivas e aberto a todas às más criações de quem lhe apetece - “just because”, tendo o seu autor, sobre a cabeça, o ónus da ameaça constante do cutelo de critícos intolerantes, com supergos zangadissímos; ou a obrigação pecuniária de ser um cronista à la carte, com prazos dead line para cumprir. Que coisa! Só me faltava esta!
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Um blog é uma página pessoal e, como tal, marcada por um acentuado cunho subjectivo. Quem não gosta, não lê! Ou, dito de outra forma, quem lhe apetece ler textos com temáticas do TU, ou do ELE, deve dedicar-se a ler jornais, revistas, crónicas, comentários de índole politica, jornais desportivos e afins. Não concebo a blogosfera como um espaço de dichotes, pseudopiadas, ajuste de contas, e "bocas" que passam por ser opiniões. Nem tenho a velha repugnância marxista pelo registo autobiográfico emotivo, pois este mundo tem gente interessantíssima, culta e de boa prosa. É evidente que se os desgostos amorosos, o envelhecimento, o luto, a sedução, o medo, a alegria, o tédio, a libido, a saudade, a raiva o amor ou as angústias metafísicas não interessam nada, então a blogosfera é de facto pouco interessante. E, em especial para um certo senhor, que não conheço, que diz ler-me todos os dias (obviamente, não acredito na sua "generosidade", até porque não escrevo todos os dias) e que deixou escritos há pouco tempo na minha caixa de comentários; um senhor que se acha um adulto no meio de adolescentes, que repudia os «estados de alma», que considera simples imaturidade ou exibicionismo, e me tem em conta como um narciso irremediável, deixo-lhe o conselho de que deve abandonar a ideia peregrina, que nele, pelos vistos se acentuou perigosamente, de que só têm interesse os problemas colectivos (e sisudos), ao passo que as preocupações individuais são umbiguismo estéril. Cuide-se. Descontraia-se. E, por favor, procure outras paragens.

domingo, 26 de julho de 2009

Poema

São gestos de vento e afagos de brisa, os beijos que dou na tua face, húmida de relento, e madrugada, minha querida flor amada! Fico-me por aqui, como um moinho parado, de velas sem asas, como eu, esquecido, neste ermo perdido que é a paisagem vã da nossa despedida.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Balancete

Quando olho para trás a sensação que tenho é a de ser o principal, se não o único, responsável pelo que de bom e menos bom me aconteceu. Lembro-me, quando ainda era petiz, de ouvir, com frequência, as pessoas crescidas lamentarem-se de não terem sabido, no seu passado, actuar de forma diferente daquela pela qual se tinham conduzido. Cheguei, por isso, à adolescência dividido entre a vontade de ser grande e a estranheza que me provocava o desalento dos adultos relativamente às suas experiências passadas. Mas, se haviam tido tanto tempo para aprender, achava eu, então porque é que não tinham feito nada para alterar as suas vidas? De facto, passados tantos anos, tenho hoje a certeza de que a minha sobrevivência deve-se à capacidade inabalável de "dar a volta ao assunto" e, sem me dar por vencido, passar por cima das contrariedades, recomeçando várias vezes, sempre em moldes diferentes. Quantas vidas não estarão contidas no passado que já vivi? Foram, no entanto, sempre os meus critérios que determinaram as minhas opções e renego em absoluto todos quantos atiram para cima da sorte as coisas menos boas que lhes sucederam. Penso que somos em mais de oitenta por cento responsáveis por tudo quanto nos acontece - concedo que os remanescentes vinte por cento se devem a factores que escapam ao nosso alvedrio. É deplorável deitar as culpas à vida de tudo o que de menos bom nos sucedeu; e, ao tomarmos tal atitude, estamos porventura a comparar-nos com seres incapazes de se auto-determinarem, quando o determinismo é exactamente umas das peculariedades que nos distinguem dos restantes entes oriundos da criação.
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[Há recordações de infância, de juventude, outras mais recentes, que nos vão acompanhando ao longo de toda a vida. São cheiros, são cores, são vozes, ruídos, são enfim, mil lembranças de segredos bem escondidos e arrumados dentro de nós e que, em determinado momento, não se sabe bem porquê, saltam ao nosso consciente, trazendo a luz de um tempo que já lá vai. Agradeço-me ter continuado a guardar dentro de mim a criança que já fui e que, no fundo, em muitas coisas, continua a persistir nos desvarios próprios de uma meninice que não quer de todo ir embora. ]

quarta-feira, 22 de julho de 2009

À margem

Por uma pequena frincha da persiana, passava um fio de claridade que se reflectia na porta do armário do quarto. A janela, entreaberta, deixava filtrar um vago ruído que vinha da rua. Abri lentamente os olhos, sentindo a luz que batia na cama. Espreguicei-me um pouco e olhei para o relógio que marcava dezoito horas e trinta minutos. Sorri, enigmático, e deixei-me ficar, ainda, deitado. Só alguns minutos depois decidi levantar-me. Dirigi-me à casa-de-banho, pus a água a correr e erguendo a cortina espreitei o dia. Voltei ao quarto, abri os reposteiros e a janela e observei a chuva que caía miudinha lá fora. Inspirei fundo. No resto da casa havia uma penumbra que me reconfortou e um silêncio que me agradou. Acendi as luzes do corredor e dirigi-me à cozinha. Por instantes fiquei parado, como se estivesse indeciso. Abri o frigorífico, apenas para constatar que tinha de ir à rua se queria ingerir algo de sólido. Depois, com um gesto decidido, abri o guarda-fato, escolhi uma roupa prática e, em alguns minutos, estava com o fato impermeável por cima da roupa e o capacete na cabeça, a aquecer o motor da mota para sair da garagem. No percurso até ao centro da cidade pensei que, afinal, estava a cumprir com uma das promessas que havia feito a mim mesmo levar a cabo nas férias: desregular-me nas horas e no sono, com perda total dos ritmos habituais; a viver o descanso; apesar de, num múrmurio, ter subitamente sentido as saudades de um específico cansaço. Aquele que ambos sabemos.

Reprovado

1.Não quero ficar com uma alma igual às personagens de Dostoiévski, normalmente atormentadas por crises e obsessões demenciais e movidas por pulsões irracionais, mas sempre que a minha conta bancária conhece um raro surto de engordamento - o subsídio de férias! -, aparece sempre um facto imprevisto que me faz esbanjar os recursos disponíveis. E isto é matemático. Manhã cedo, levei o carro à inspecção, sem preparações prévias, sem rede, na simples boa fé de que, à semelhança de sempre, o verdelhão ia passar sem problemas: [Por favor, abra o capôt. Cheira a gasóleo! Há uma fuga de combustível. Não vê o combustível derramado? Pode ser da bomba injectora! Será que os tubos de retorno romperam-se e deixam entornar combustível?] [Eu sei lá! Nunca me cheirou a gasóleo, nem há vestigíos de manchas de combustível no chão da minha garagem! Mas ainda bem que isto foi observado aqui, pois pensava viajar sem cuidar que algo pudesse estar menos bem com o automóvel.] Resultado: veículo reprovado e impossibilitado de circular até integral reparação da anomalia detectada. E assim lá fui eu para o concessionário da marca, com o papelinho escarlate na mão, no qual se podia ler, em caracteres garrafais, o vocábulo que ilustrava bem o resultado da inspecção: "Reprovado". Na melhor das hipóteses, só daqui a três dias é que o automóvel fica consertado, uma vez que a oficina está repleta com pedidos de reparação - os nossos emigrantes aproveitam as vacances au Portugal para revisionarem as suas voitures, já que em França a mão-de-obra é carissíma. Enfim, resta-me andar de mota à chuva; e, analisando o acontecimento numa óptica optimista, vejo que podia ser bem pior: podia ter de andar a pé e à chuva, ou de bicicleta e à chuva. Adiante com a vida, pois não são com certeza estas brejeirisses do quotidiano que chegam para deitar um homem abaixo.
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2. A sala de espera do concessionário era aprazível, talvez para fazer esquecer que as pessoas que ali estavam, faziam-no habitualmente por razões pouco agradáveis: dispêndio de rios de dinheiro em peças e reparações. As cadeiras eram cómodas e as revistas e jornais eram recentes. Um bolo caseiro e café estavam sobre a mesa à disposição dos clientes. A luz coada e a música clássica davam ao ambiente o calor que, regra geral, estas instalações não possuem. De repente a porta abriu-se e a cabeça da recepcionista apareceu para me chamar. Num sobressalto, levantei-me e segui as suas curvas insinuantes até ao gabinete do chefe de oficina: [É grave? - perguntei.] [À partida nada lhe podemos dizer, a não ser que o seu automóvel terá de ficar internado por alguns dias. Logo que tenhamos novidades, e antes de procedermos a qualquer reparação, telefonamos-lhe. Entretanto a menina vai providenciar um veículo com motorista para o levar a casa. Faz parte dos serviços que proporcionamos aos clientes e presumo que não tenha vindo acompanhado por alguém com transporte.] Fiquei com pena que não tenha sido a menina simpática a trazer-me a casa em vez do motorista tagarela que me arranjaram, mas, ainda assim, estou grato pelo gesto. Esta mania absurda de chamar alguém específico para desempenhar uma tarefa, quando uma pessoa mais perto de nós a pode igualmente fazer, sempre me deixou intrigado. Será que o cliente pagante, na senda da mordomia ambiental, encenada para anestesiar as reacções de desagrado aquando da apresentação da factura, não podia ele mesmo escolher o/a motorista? Cogito ergo sum.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Flores azuis

(Oléo sobre tecido - Lydia Cristina - por cortesia da autora)
Como são bonitas as flores da época estival, que me olham fixas desde o beiral da varanda, sem voz que se oiça, sorrindo para mim! Como são simples estas flores de Verão, crianças de braços abertos, à espera do meu afago terno, bonitas e simples, como toda a natureza que se cria espontânea, nos seios da vida. Bonitas como tu, meu raio de sol! Pois és a beleza que eu canto, o fascínio da vida, os azuis dos céus, os verdes dos chãos, os arcos-íris, as cores infinitas dos seres-vivos, o brilho cintilante das estrelas, o trinar das aves ao morrer da tarde. És um quadro pintado na mágoa dos meus olhos, na tela do meu firmamento, que amo chorando e de amor vou morrendo.

Procol Harum - A Whiter Shade Of Pale

Os British rock legends, Procol Harum, em concerto ocorrido em 2003 na London's Union Chapel. Esta banda actuou em Portugal, corria o ano de 1973, no famigerado "Pavilhão Drámatico de Cascais", fazendo o cover da 1ª parte do Cascais Jazz Festival: uma festividade anual organizada pelo célebre Luís Villas Boas, entretanto já falecido. Eu, à data, ainda era um rapazinho, mas já atento a estes "happenings". Mais tarde, em 1976, no mesmo pavilhão, vi os "Genesis" (The Lamb Lies Down on Broadway) tendo o Peter Gabriel como vocalista. Foi o meu 1º rock concert ao vivo! E são tantas as coisas que eu já vivi nesta maravilhosa experiência de levar quase meio centenário de vida...

Fábula - a resignação da pássara

(Fonte: Internet)
Era um pássaro, ave do Paraíso, de bico afiado, olhos de fogo, do carvão, com bela plumagem enfeitado. Amava uma linda amiga sua que, pobrezinha, vivia fechada numa gaiola-prisão. Um dia, ao despertar, atreveu-se a convidar a sua amada a irem juntos voar. Mas o guarda da prisão (velho e mal encarado), lá estava como sempre ao portão, de plantão, para não a deixar sair, nem sequer espreitar pelo gradeado, o malvado! Assim, o infeliz e triste apaixonado, distante continuou da sua amada e tão amargurado tem andado que nem comida tem procurado. E, pelos vistos, de fome vai morrer, o coitado! Quanto à sua amada querida, lá continuará fechada, na gaiola doirada, a viver a sua vida, resignada. Que triste realidade, a vida sem liberdade! Como viverá este pássaro simpático, apaixonado? Que só tem chorado! E a sua amada? Continuará resignada? [Gostava de te poder dizer: "Por ti ficarei eternamente à espera, que nada me desespera, mas estaria a mentir-te, pássara!"]

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Despedida

(Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o remate de uma história que terminou, externamente, sem a nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente)
Partiste! Sem ti fiquei, sem saber o que fazer! O ar que respiro mal chega pr'a viver! O meu olhar deixou de ter a argúcia de entender a luz do dia que és tu; ou as trevas da noite, alumiadas de luar e de cintilantes estrelas, que, de súbito, deixaram de ser horas calmas de meditar; de contigo sonhar um eterno acordar. Guardo para sempre os lenços brancos com que, em silêncio, chorei, nas horas tristes, lágrimas pungentes. Sinto-me uma muralha demolida, despedaçada, como um castelo de areia feito à beira-mar por mãos inocentes de uma criança e sonhos irreais de esperança. Procuro um lugar sagrado onde, recluso, me recolha e me confronte no silêncio; uma pequena ermida onde ore e medite sobre o que tem valido a vida e o que para ela tenho sido. E é talvez este chão de planura onde me encontro, estacado de velhos sobreiros, que me sustêm as lágrimas, tanta a secura; que me calam a voz, tanta a surdez; e, por ausência de bulício, colam-me os olhos no horizonte, sem valas nem cerros ondulantes, ou distâncias definidas. Asfixiante aragem! Serenidade que é viver sem ver! [Vieste um dia, qual sol p'la manhã, dizer-me que a vida tinha acabado de começar, como fosse uma onda do mar despedaçar-se nos meus braços; e assim me deixaste ficar! Não vale a pena darmos a alma, na sua grandeza, aos que sem alma não podem saber nem ver quanto uma alma vale no suporte do nosso ser. Sabes, amor, contigo, a vida é uma eterna despedida!]

Palavras ao relento

O murmurinho da pureza, da nascente do teu olhar, e a caricía das pétalas da tua boca em flor, o meu desejo ambicionado, no timbre das palavras, gestos do vento, afagos da brisa, os beijos que derreto na tua face, na carne dos teus lábios, nos teus seios húmidos, ao relento da madrugada, minha bem-amada. [Desejos profundos da minha ansiedade! Insígnias de verdes dentro de mim, olhos estristecidos de um final de tarde...]

Vens, borboleta

Vens, borboleta, sensual, escaldante, colorida de vestes transparentes, deixando desnudas tuas formas, teus pérfidos encantos, teu corpo de malícia, teus modos provocantes. Vens, borboleta, sabendo que estou preso, apenas pelo que vejo e que nada mais desejo.
* (Pintura de Amohacy Berbert - por cortesia do autor)

sábado, 18 de julho de 2009

Madrigal - naked version

(Comporta - Julho 2009)
Desde os 23 anos que não cortava a barba por completo e, confesso, já não me conseguia imaginar sem esse apêndice facial que tinha como sendo parte inseparável de mim. Um destes dias, por sugestão de uma pessoa (eu que nunca me achei sugestionável!..), decidi cortar a barba e, quando me vi ao espelho, quase não me reconheci sem o adereço vintage que há muito me compunha as feições. Aos poucos, estou-me habituando ao novo look e não há dúvida que pareço um tipo mais novo; ou disfarço-me melhor (as opiniões são unânimes). Não tarda, por este andar, entro naquela fase pré-decadente em que se mente sobre a idade, pinta-se o cabelo, arranjam-se as unhas e compram-se coisas desportivas, mais concordantes com idades próximas dos vinte e poucos anos. Deus me livre! Aceito com a maior bonomia o rodar dos anos e o tom de prata que ganharam os meus cabelos. Felizmente que o néctar da minha felicidade é maior do que o valor da aparência - a minha, ou de tudo aquilo que aparenta ser, mas não é.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

3 apontamentos breves e desgarrados

1. Hoje é o meu último dia de trabalho antes do longo período de férias que me espera. Tanto quanto me lembro, há muito tempo que não gozava 31 dias seguidos de licença e havia já adoptado como regra as férias interpoladas; mas este ano calhou assim e espero ocupar o período de lazer em actividades multifacetadas. Tenciono gastar cerca de um terço das férias numa viagem e o restante em leituras, escrita – a continuação de um conto: uma espécie de never ending story que corre o sério risco de acabar inconclusivo, bem como o esboço de novos poemas, arejados pelos sentimentos que no momento me levam. Também planeio algumas idas ao cinema e, eventualmente, assistir a duas ou três peças de teatro e visitar algumas exposições patentes em Lisboa. Igualmente as frequentes idas à praia e à piscina estão no horizonte dos meus ensejos, bem como a continuação dos longos e solitários passeios de mota, que tanto me sintonizam com a natureza. A tudo isto, espero juntar algumas visitas surpresa a pessoas que me são queridas e que não tenho o prazer de ver há muito tempo. Sobretudo, anseio por dormir manhã adentro, sem horas obrigatórias para acordar e desregular completamente o meu biorritmo, como já há muito tempo não sucede. Enfim. Tenciono portar-me mal.
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2. Sempre achei que uma sociedade que é capaz de infligir aos seus membros a obrigação de se levantarem da cama às 08h00, é seguramente uma associação de malfeitores, capaz de perpetrar violências inauditas, tais como impedir o exercício das mais elementares necessidades biológicas dos seus associados, entre outras práticas contra-natura. Dormir muito e com qualidade é uma essencialidade – nem todos são «animais de sangue frio», como o anfetaminíco Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que, nas suas palavras, se basta com 3/4 horas de sono para manter intacta uma energia capaz de lhe possibilitar manter, num nível próximo da excelência, a plêiade dos seus multicolores afazeres. Mas como nem todos nasceram dotados de tais carapaças, existem no mercado uma sorte de químicos (1*) capazes de nos transformarem num ápice em clones do turbo-Professor.
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[1*Durante a Segunda Guerra Mundial, tanto os aliados como as potências do Eixo empregaram sistematicamente as anfetaminas para elevar o moral, reforçar a resistência e eliminar a fadiga de combate de suas forças militares. Tropas alemãs, como as divisões Panzer, empregavam a Methedrine. Já a Benzedrine foi usada pelo pessoal da Força Aérea norte-americana estacionado em bases na Grã-Bretanha. Em território dos Estados Unidos, entretanto, o uso das anfetaminas por pessoal militar só foi oficialmente autorizado a partir da Guerra da Coreia. A febril produção de anfetaminas para atender aos pilotos da Luftwaffe, a força aérea de Hitler, gerou excedentes que provocaram uma verdadeira epidemia anfetamínica no Japão. Perto do final, da guerra, os operários das fábricas japonesas de munição receberam generosos suprimentos da droga, que era anunciada como solução para eliminar a sonolência e embalar o espírito. Como resultado, no período imediato do pós-guerra, o Japão possuía 500 mil novos viciados]. In: Tópicos sobre substâncias aditivas - Lx 1999 ______________________________
3. A partir de Setembro, Leiria vai passar a dispor de um serviço gratuito de bicicletas. O BICICLIS, à semelhança das BUGAS, em Aveiro, é o nome do programa estratégico que vai permitir colocar à disposição dos cidadãos os tão propalados velocípedes. Numa primeira fase, estarão à disposição dos munícipes e visitantes da cidade, um total de 50 veículos, a que a curto trecho se espera que se juntem mais 150, até perfazerem um total de 200 bicicletas. Com um nadinha de esforço, quase consigo imaginar Leiria transformada numa pequena Amsterdão, apesar da horografia mais difícil da cidade, comparada com a celebérrima urbe holandesa. Mas, ainda assim, devido à ausência de subidas acentuadas, todo o centro da cidade, mormente o percurso de vários quilómetros junto ao rio, é bastante fácil de percorrer de bicicleta. E por este andar, vencidos os preconceitos que nos distanciam anos-luz dos habitantes da velha Flandres e nos fazem, mais de meio século depois, descobrir esta forma não poluente, tão saudável, de nos deslocarmos e em simultâneo fazermos exercício, podiam-se ancorar alguns batéis à beira do Lis, adaptados a lupanares e restaurantes, que, estou certo, rapidamente se transformariam em lugares afamados. Também a revitalização do casco histórico com as suas ruas estreitas, repletas de lojas cuja fertilidade inventiva dos donos há muito parou no tempo, conheceria novos alentos caso as montras se reconvertessem e ao invés de alguidares de alumínio e penicos esmaltados, mostrassem as fulgurantes belezas das rainhas do prazer que formigam no “Red Light District” de Amsterdão. Pelo sim, pelo não, aqui fica a ideia peregrina, gratuita, uma espécie de desafio lançado ao espíritos mais afoitos e empreendedores da região (2*). ____________________________
Mais seriamente, acho que todos devemos dar o nosso contributo com ideias que sirvam para a reabilitação de zonas logísticas obsoletas ou mesmo edifícios devolutos dispersos pela cidade que aguardam uma nova vida, onde se poderá misturar a história e tradição com a criatividade e a inovação. Estes vazios urbanos podem dar lugar a ambientes multifuncionais que cruzam empresas criativas, habitação, comércio, lazer e cultura ou a pequenos espaços de encontro, partilha e sociabilidade, orientados para a quebra de barreiras, a expressão livre de ideias e o exercício da imaginação. Não defendo a criação de “ilhas elitistas” no seio da cidade, mas sim de articular o património tangível e intangível e os locais de memória com formas inovadoras de intervenção urbana, preservando o carácter distintivo e diferenciador dos espaços e o “espírito do lugar”. Se o que acontece algures em cidades estrangeiras é de bom gosto e sucesso, porque não plagiar esses exemplos e olvidar o que não presta e não nos serve?
2* Obviamente, uma brincadeira [não inocente…]

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Brecht - sobre a indiferença

"Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso, eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso, eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho o meu emprego, também não me importei. Agora estão me levando mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém ninguém se importa comigo".
Bertold Brecht - 1898-1956

terça-feira, 14 de julho de 2009

Marcus Tullius (dixit)

Há coisas que definitivamente não passam de moda. São uma espécie de one size fits all da História. Dizer que a História se repete, que é cíclica, é um lugar-comum; tal como afirmar que sempre hão-de haver ricos e pobres; diferenças de classes; iluminados e idiotas; bons e maus; honestos e corruptos. Se o poder corrompe, o poder absoluto - passo a tautologia - corrompe absolutamente. Pensar que se pode algum dia mudar a natureza das coisas, invertendo o curso inelutável da natureza humana, pode ser uma quimera, mas foram as utopias que conduziram às ideias e estas últimas que conduziram às revoluções nas mentalidades. Não é perda de tempo "remar contra a maré", quando no nosso coração habita o imperativo de que devemos fazer algo para tornar a sociedade que nos envolve mais justa; e só um caminho nos resta: a luta incessante por tornar possível o nosso ideal de Justiça; e assumir sempre uma atitude coerente entre aquilo que pensamos e a nossa forma de interagir no meio social. É por isso que, orgulhosamente, me sinto um homem de esquerda, já que só permitem rotular-me com a paupérrima dicotomia pré-existente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Quando viajo só levo o essencial...

(Fonte: Internet)
Andava eu a cogitar que tipo de top case e alforges laterais seriam mais adequados para a minha mota, a fim de transportar as essencialidades para uma viagem de cerca de duas semanas, quando, perante esta foto, me vi obrigado a rever o meu conceito de essencial. Julgava eu que, para uma viagem de motociclo, o essencial a transportar compunha-se de: roupas, objectos de higiene, impermeáveis, dois pares de botas confortáveis, um spray anti-furo, óleo para a corrente, mapa michelin ou gps, mas vejo-me obrigado a conformar o meu pensamento à verdade de que a percepção do que é essencial é mais subjectiva do que à primeira vista parece. Afinal trata-se de um conceito elástico e que cada um gradua a seu bel-prazer. Essenciais são tão-somente as coisas de que mais carecemos; e, pelos vistos, cambiam bastante de pessoa para pessoa. E, ainda que não seja só por isso, damos vivas à diferença!

domingo, 12 de julho de 2009

Uma noite em Coimbra

Ontem fui jantar com um grande amigo, que reside em Coimbra. De seguida, fomos à "À Capella", um espaço onde se pode ouvir o Fado de Coimbra executado por quem melhor sabe do assunto (Quinteto de Coimbra), num local fabuloso (uma capela), com uma acústica excelente. É de salientar o decor interior, de um bom gosto inexcedível, onde pugnam as velas e os símbolos musicais; e, na parte exterior, a seguir a uma enorme vidraça, um pequeno varadim donde se pode observar uma vista deslumbrante sobre o casario antigo da cidade. Finalmente vejo que a Canção de Coimbra ganhou um espaço privilegiado digno das homenagens que merece. Não posso deixar de referir o facto de se encontrarem muitos jovens na assistência, o que prova que o fado também encontra feedback nos mais novos, que frequentemente encaravam a Canção de Coimbra como uma coisa de velhos e ultrapassada. O Fado de Coimbra é hoje, felizmente, visto como uma expressão importante da cultura portuguesa, ao ponto de ser frequentemente apresentado em recintos fechados. Neste contexto, os proprietários propõem um espectáculo com duração de aproximadamente uma hora, com temas que percorrem toda a história do fado da cidade, de carácter diversificado na temática e no ritmo. Integram o espectáculo interlúdios instrumentais de compositores como Carlos Paredes, Artur Paredes, António Portugal e Jorge Gomes. A performance de "Verdes Anos", do saudoso mestre, foi para mim o momento mais alto da noite e elevou-me o espírito aos píncaros da emoção. Foi uma noite memorável! Obrigado pela excelência do jantar - o cabrito estava uma delicía! - bem como pelo resto da noite que terminou, madrugada alta, no "Basófias", junto ao Mondego. Bem hajas por tudo!

sábado, 11 de julho de 2009

Breves notas

(Yamaha FJR 1300)
A SpeedCity-Yamaha Leiria, de cujo proprietário sou amigo e que não desiste de me tentar vender uma mota da sua representação, convidou-me para participar, hoje, no mega test ride onde vão estar presentes os novíssimos modelos da marca. Na verdade, a hiper turistíca FJR 1300, que penso experimentar, é o único modelo que deveras me convence. Ainda sonho com a possibilidade de viagens de longo curso pela Europa, numa mota bastante potente e com capacidade de transporte de bagagens, suficiente para levar roupas e utensílios para um passeio de duas ou três semanas. O moto-turismo é uma paixão recente e que, chegadas as férias e o bom tempo, conhece novos desenvolvimentos e possibilidades. Enfim, sonhos acalentados e que só agora conhecem a possibilidade da materialização. Deus queira que não chova, já que o dia acordou enevoado e cinéreo, muito longe daquilo que se podia almejar em meados de Julho. Estaremos irremediavelmente condenados a esquecer a destrinça entre as quatro estações do ano e a ajustarmo-nos a estas alternâncias? Não fossem as baixas temperaturas que se fazem sentir, este câmbio constante entre a chuva e o sol mais faz lembrar alguns climas tropicais que bem conheço. As alterações climatéricas são sinais dos tempos e temos de nos adaptar. Afinal é a maior ou menor capacidade de adaptação que dita a sobrevivência de uma espécie.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Contra o ressabiamento

Depois de ter lido alguns comentários aleivosos deixados por alguém, certamente hiper-ressabiado, o blog passa, desde hoje, a ter moderação de comentários. Trata-se de uma forma natural de protecção contra certos espectros que deambulam pela Internet, com alterações do pensamento, delírios e embotamento emocional - raiando a patologia e a perda do contacto com a realidade - ávidos por dar mostras públicas do seu disfuncionamento crónico. Pena é que essas pessoas, se é que se lhes pode chamar assim, se camuflem por detrás do anonimato, pois que também a constância no uso da não frontalidade é neles uma característica dominante. Os doentes mentais são geralmente seres cobardes, envergonhados que se sentem com a maleita incurável que os enferma. A Internet e mormente a blogosfera, como espaços democráticos, ao alcance de todos, têm destas inevitabilidades e não é naturalmente possível evitá-lo. Retiro, deste modo, a possibilidade aos portadores de embotamento afectivo e pobreza geral ao nível do pensamento, de comentarem aquilo que escrevo, pois nada do que digo lhes é dirigido e está certamente para além da sua compreensibilidade. Mantém-se, no entanto, o convite feito às pessoas de boa índole que queiram comentar-me, pois muitos já são velhos conhecidos cá em casa, outros nem tanto.
A essas pessoas que me lêem desde há muito, deixo um sentido abraço e muito obrigado pela compreensão.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Disto e daquilo

Não sou certamente um génio do romantismo, muito menos sou o dono da ciência amorosa, mas tenho no meu coração a sensibilidade de um homem com o condão de se apaixonar e de viver as intensidades próprias desse fogo arrebatador. Pena é que muitos não pensem assim e coitados dos que, como eu, ainda crêem no amor desinteressado e puro – o amor está em crise, sublimado que se encontra pelo pragmatismo de outros valores, esmagado pelo peso de colecções de desilusões. Mas, ainda assim, viver uma experiência amorosa é dos maiores prazeres da vida. Gostar é sentir com alma, mas expressar os sentimentos depende das ideias de cada um. Muitas vezes condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Vivemos uma vida tentando fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente. Em súmula: deixamo-nos. Quantas vezes queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso próprio apoio. Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha preencher o buraco que nós mesmos cavámos. A insatisfação, o vazio interior, transformam-se numa busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão. Mas, pior do que sofrer uma decepção amorosa, por descobrir no outro a génese da mentira e da falsidade e a não correspondência de sentimentos – defeitos impossíveis de sustentar em qualquer relacionamento que se pretenda que floresça e amadureça –, é a percepção tardia dessas malformações de carácter, porque depois tudo se torna mais penoso e difícil. Às vezes a detecção precoce é uma bênção enviada pelos deuses. E por isso nos devemos congratular - e que seja ao menos por alguma coisa, já que a tristeza sempre nos ensombra.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

The love of my life

(My love)
A minha querida filha vai fazer 15 anos no próximo dia 25. E para aqueles que me perguntam quem é a mulher da minha vida, aquela que sempre amei incondicionalmente e a quem consigo perdoar todos os defeitos sem nunca experimentar qualquer desilusão, ou vontade de me apartar dela, a minha resposta é invariavelmente a mesma: The love of my life - [A minha Inês].
Bem hajas, querida filha, que os anjos te guardem e oferendam muitos anos de vida e felicidade azul - a cor dos teus lindos olhos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O 1º dia de praia

(Comporta- Tróia - Setúbal - Julho 2009)
E para aqueles que porventura não acreditavam que eu, à beira do meio século, ainda conseguia fazer o pino, aqui fica a imagem, em contra-luz, de um exercício ginastical quase perfeito, numa evidente demonstração das minhas aptidões circenses. Foi o primeiro dia de praia deste ano, num ambiente excelente, rodeado de naturezas indizíveis. A praia da Comporta, no seguimento do istmo que é Tróia, é das mais belas de Portugal. Resguardada pelos contrafortes da Serra da Arrábida, com águas serenas e uma temperatura perto do excepcional, transporta-me sempre o imaginário para os queridos momentos passados nestas paragens, quer durante a infância, quer já mais tarde na vida adulta, bem como à doce memória da poesia de Sebastião da Gama, que tanto aprecio. Não fossem os mosquitos, pernilongos muito comuns por estas paragens, que me iam comendo vivo e me fizeram gastar carradas de Fenistil, tudo teria sido perfeito. É, no entanto, uma experiência a repetir.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Deus me dê paciência!"

O comportamento assertivo é aquele que envolve a expressão directa, pela pessoa, das suas necessidades ou preferências, emoções e opiniões sem que, ao fazê-lo, ela experiencie ansiedade indevida ou excessiva, e sem ser hostil para o interlocutor. É, por outras palavras, aquele que permite defender os próprios direitos sem violar os direitos dos outros. A assertividade não garante a não ocorrência de conflitos entre duas pessoas; o que acontece é que, se duas pessoas em desacordo comunicam de forma assertiva, é mais provável que reconheçam que existe um desacordo e tentem chegar a um compromisso; ou, simplesmente, decidam manter a sua posição respeitando a do outro. Em todo o caso, só nós somos responsáveis pelo nosso próprio comportamento – se a outra parte do conflito decidir comportar-se de forma não assertiva, o problema é dela. E desde que penso assim assim e pauto a minha forma de acção pela tão aclamada "assertividade", a vida corre-me bastante melhor, em especial no que toca à gestão dos conflitos, motivada pelas clivagens que se formam e existem expontâneamente entre as pessoas que me rodeiam no dia-a-dia, e com as quais tenho de lidar - gente com quem, naturalmente, não escolhi trabalhar ou reunir. [Deus me dê (sempre) a força e a paciência necessárias para que um dia o meu nome não venha a fazer parte dos head lines do Correio da Manhã!]