Tudo o que me apeteça dizer sem exclusão de temáticas ou conteúdos, através de textos que tanto podem ser crónicas, contos, poesia, ficção, diários, ou meros pensamentos surgidos no momento.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
A frio
Apascentando os sonhos
- Assim vou apascentando a fantasia,
- Neste final de tarde de um dia vulgar
- Sem algo singular que valha a alegria
- Destes versos que me apraz cantar;
- Sou rolo de fumo, astro perdido,
- Um vapor nulo de inspiração
- Com a fé militante do poeta agradecido
- Num dia a mais, sem celebração;
- E dou-me todo neste poente outonal.
- Sou espasmo de luz, brisa dos oceanos,
- Aquele que define o seu capítulo final:
- Acabar floricultor num bosque de enganos;
- Vivo há muito com o ensejo de não escapar,
- A enigmas que tanto me seduzem
- Mas vou contendo-me, extraindo fôlegos do ar
- Sonhando sempre que as estrelas fulgem;
- Amanhã, de novo, espreguiçarei ao alvor,
- Esta vontade que reputo salutar,
- Rendido ao melífluo clamor
- Desta crença por mim aberta de par em par.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A Lua
- É tão belo ver a noite dormir
- Embalada em silêncio lento
- E sonhar suave que o devir
- Vai ser o lindo encantamento
- Da doçura maior que está por vir
- É tão belo o esplendor desta visão
- Como um eco que ressoa no final dos dias
- A noite como confidente e boa razão
- Das almas que choraram um dia, vazias
- É tão belo sentir a noite chegada
- Derramando a sua luz no céu de breu
- Com os pés nus e a bagagem aligeirada
- Sonhando que o destino dela sou eu
domingo, 27 de setembro de 2009
Notícias do Gato Ruca, seguidas de um breve comentário politíco
De fugida...para Lisboa
sábado, 26 de setembro de 2009
Azulo-me... por ti
- Quis o destino que deixasses de ver
- Este rosto parado em horror por te ter
- Nas núvens rendadas e esfarrapadas
- Num céu que apainela a visão dum olhar
- Que quer trazer a eternidade
- A mão que ajuda, ampara e acolhe
- Todas as mágoas, como rio a encher
- Florestas vedando o nosso encontro a correr
- Na corrida de fadiga, mentira e sofrer
- Porque vieste ampliar a minha dor, amor
- Nas vagas rotundas, na brisa do mar
- Se a ti eu amei e sofri com a dor
- De sentir a tua ausência esfumada em bruma
- Num longo silêncio que fere e anula
- O coração de alguém que de dor trespassado
- Não quer mais sorrir, não quer mais ouvir
- A voz doutro alguém que teu lugar roube
- E que da vida ainda não soube
- O que é querer, perder e sofrer
- Na solidão que fere e que mata...
domingo, 20 de setembro de 2009
O Gato Ruca
sábado, 19 de setembro de 2009
O que é o amor?
- Amor, é não saber o que se quer
- É ter o que não se quer, e tem
- É querer o que se não tem, e quer
- E não saber afinal o que se tem
- Amor é aquilo que dá a vida
- É estrela a brilhar entre as estrelas
- É gota cristalina numa flor caída
- É a razão da existência entre as mais belas
- Amor, é um mistério de enganar
- Mostrando muitas vezes falsidade
- Dizendo que se ama e não amar
- Amor? Parece fogo que nos queima
- É amar muitas vezes na obscuridade
- Fingindo não amar, quando se ama
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Murmurando as palavras
domingo, 13 de setembro de 2009
Devagarinho
- Coração que bates devagarinho
- Não te entregues não, tanto
- Tens o sopro de um passarinho
- Mas de bondade, que tamanho...tanto
- Se é assim teu coração a amar
- A bater devagarinho, vem
- Que bom poder tanto dar
- A quem tanto amor não tem
- E quando aqui chegares, olha bem...
- Escuta este bater que te presente
- E sem receio, devagarinho vem...
- Apenas confia em quem não mente
- E não te entregues, não, tanto
- Mas dá-me a tua mão assim... suavemente
sábado, 12 de setembro de 2009
A tua flor
- Fiz um ramo com flores
- E todas eram tão belas
- No jardim dos meus amores
- Achei-me a sonhar com elas
- Uma orquídea eu fui pôr
- No meu lugar de eleição
- Para ver se o teu amor
- Tinha a mesma duração
- Veio então uma rosa
- Com o seu espinho aguçado
- Que me deixou a sofrer...
- Não quero mais orquídea nem rosa!
- Quero só andar enganado
- Até quando eu morrer
Palavras na tua/minha boca (Fevereiro de 2005)
Há palavras que têm sabor, palavras que se deixam degustar enquanto as sentimos rolar por sobre a língua, antes de abrirmos ao de leve os lábios para as deixarmos sair;
Enquanto existem em mim, sabem a sonhos, a esperança, mas quando mas calas com um beijo e fogem para a tua boca, sabem-me a amor e a paixão; quando mais tarde as exalas inesperadamente, sabem-me a destino;
Quando mas sussurras ao ouvido; quando mas gravas com os dedos sobre a pele; quando mergulho os meus olhos nos teus e as vejo navegar na tua alma; quando vislumbro uma sílaba perdida no canto da tua boca e provo uma letra apressada no gosto do teu sorriso...
Há palavras que têm cheiro a mil passeios de mãos dadas, no parque, na praia…; que soam como música perdida nas estrofes de vento que refrescam o verão…; que uivam na tempestade para que as lembremos para sempre…; que cantam para nós de manhã para que o nosso despertar seja suave e melodioso…; que nos imprimem vida, movimento, ritmo…
Há palavras que nascem bem dentro de nós e que ficam lá mesmo depois de as gritarmos ao vento e de as levarmos pela mão a conhecer o mundo de outra pessoa. Palavras que embalamos sem mesmo nos darmos conta e das quais nos alimentamos com cada vez mais avidez…
São palavras que um dia nos batem à porta de mansinho e nos pedem para entrar… e não encontramos forças para as mandar embora… e deixamos que fiquem e que, aos poucos, vão tomando conta de nós… exigindo ser o nosso centro… o âmago de tudo…
E, quando enfim, derrubadas todas as barreiras, nos preenchem, querem mais, querem ser partilhadas, porque são especiais, porque querem colorir os dias daqueles que amamos e unir-nos ainda mais, sem pressas, porque têm todo o tempo do mundo para fazer-nos felizes…
São palavras assim como: Amo-te!… que me aproximam de ti a cada dia que passa, palavras que me preencheram os silêncios e me elevaram os sonhos e, em cada um deles, consigo entrever linhas de vida ainda inenarradas, acenando-me por entre os traços do teu sorriso, convidando-me a aproximar-me, a prová-las na tua boca para sentir que são iguais às minhas, e que também elas querem que fiquemos juntos para sempre…
(Publicado no meu 1º Blog, em Fevereiro de 2005)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
A sorte do gato dorminhoco
Causa perdida
- Passei a vida a sonhar
- Com uma causa perdida
- Era um sonho ao luar
- Era um desejo de vida
- Uma vidraça separa
- O que desejo e não tenho
- Daquilo que tenho e não pára
- O meu desejo tamanho
- Esse desejo, essa causa
- Que perdida já nasceu
- Na vida fez uma pausa
- Mas essa pausa perdeu
- Da vida, a perdida causa
- E quem por essa causa viveu
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O Eu, os Uns e os Outros
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
The Beatles - Hey Jude
Os Fabulous Four, por justaposição com os Fabulous Five, os heróis da saudosa Enid Blyton, que, embora de uma outra forma, também ajudaram a preencher o imaginário da nossa mais iniciática infância, aqui ao vivo, num programa da televisão britânica. À época ainda não havia play back. Viviam-se os momentos do purismo e as coisas saíam assim: "Hey Jude, dont make it bad. Take a sad song and make it better. Remember to let her into your heart, Then you can start to make it better. Hey Jude..."
A lenda do FIAT 127
No heart feeling
- This sad word missing
- Makes me feel a great pain
- But, no heart feeling
- I'll wait for you again
- If my heart suffers so
- I am compelled to cry
- My eyes become blind
- Only looking to the sky
- Come, my love, and see
- How anxious is my soul
- When I stay far of thee
- Your coming is the light
- Wich dawns from the sky
- And gives me peace and bright
domingo, 6 de setembro de 2009
Fumo na bruma
- Na terra árida e ressequida
- Não há uma gota mais, para enganar
- A sede de uma água pura e límpida
- Que faz um coração viver e amar
- E sobre este meu corpo, a fina pele
- Encobre a frescura dum ribeiro
- Que transborda do seu leito, e assim repele
- Feito lágrima, um amor primeiro
- Saindo do meu corpo em louca frágoa
- O ribeiro me deixou tão imutável
- Que tudo secou, de tanta mágoa
- Eu, já não sou eu
- O que sou nem a mim pertence
- Coisa vaga, pessoa, alma?
- Sombra leve que esvanece
- Toda a força, toda a esperança
- Fumo brando na bruma
- Pó desfeito no ar que amanhece...
Inglourious Bastards - Official Trailer [HD]
"Inglorious Basterds", em tradução portuguesa, "Sacanas sem Lei", é o último filme de Quentin Tarantino. Para quem gosta do género, trata-se, na minha opinião, de uma obra prima da realização. Tarantino está no seu melhor e todos os ingredientes que marcaram o estilo inconfundível do realizador de "Pulp Fiction" estão aqui ao rubro. A violência, marca presente em todos os filmes do consagrado realizador, ganha nesta película foros inimagináveis, com a cenas da morte à paulada de um sargento do exército alemão e os escalpes perpretados pelo pelotão de judeus ressabiados que jurou matar o máximo de nazis que pudesse. Trata-se de uma saga onde sadismo e o cinismo, levados às últimas consequências, conjugam-se no desenrolar de uma aventura, sempre ao ritmo frenético das histórias de banda desenhada. Os cenários são deslumbrantes e a técnica de realização irrepreensível. O clímax da história acontece com o sucesso da "Operação Kino", quando os maiorais da cúpula nazi, encerrados dentro de um cinema, são todos mortos. Não falta em todo o filme a marca do peculiar sentido de humor de Tarantino, que resolveu dar aos judeus a imperdível oportunidade de recriarem a História do período nazi, praticando uma vindicta, a ser concretizável, algo satisfatória perante as atrocidades de que foram vítimas. O sentido moral da coisa é, a meu ver, no mínimo, duvidoso e os propósitos do realizador algo assombrosos, mas o resultado do conjunto é sem dúvida impressionante. Aconselho vivamente o visionamento deste filme, excepto naturalmente a pessoas facilmente impressionáveis.
Tarantino acabou de me provar que continua nos píncaros de todos quantos actualmente realizam filmes.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Incólume - just because

terça-feira, 1 de setembro de 2009
Pretérito rarefeito

- Tudo da vida se vai
- Como um castelo que cai
- Sonhos meus, que bem sonhei
- Tudo de bom te encontrei
- Foste a água das fontes
- Que sai correndo dos montes
- Costas voltadas à alma
- Agora nada acalma
- Pensamento que não vem
- Recordar o que não tem
- Já amor aos anos idos
- Tão belos que foram vividos
- E por ser por olhos teus
- Tão doces, presos nos meus
- A felicidade viveu
- A paz e ternura no céu
- Hoje, esperança morta
- A bater à nossa porta
- Como estrondoso trovão
- Já não estendes essa mão
- Com a florzinha mimosa
- Que vinha, tão graciosa
- Direitinha ao meu coração...