É com uma certa mágoa que abandono a escrita no Madrigal, mas as circunstâncias não me deixaram outra alternativa. Nunca gostei do nome do blogue. Sempre o achei pretensioso e evocativo de alguém que em tempos se julgou capaz de ser poeta. No entanto, com o rodar dos anos, fui-me habituando a ele, como se fosse uma segunda pele, um espaço mimoso, um jornal, o meu diário possível de ser partilhado, a minha catarse. Sempre cultivei outros espaços de escrita, anónimos, com outras temáticas, mas nunca com impressões tão pessoais. Com este, já é o terceiro blogue que abandono no espaço cibernético, para que fiquem quietos, apenas pairando, como testemunhos silentes dos textos que neles publiquei - pelo menos enquanto o blogger não os erradicar. É muito esquisito e triste escrever um post de despedida, mas a minha partida é, neste caso, plena de reticências, uma vez que não tenciono abandonar uma coisa que há muito faz parte de mim: a escrita. Saio apenas do Madrigal, discreta e calmamente, neste dia timidamente ensolarado onde as sombras se infiltram pelas brechas da minha alma, e o melhor caminho é sentar-me no chão e absorver o ar envolvente. Vou ali como quem vai até ao jardim ver se o orvalho já secou nas pétalas das flores, e quando voltar já será com certeza noutro lugar...
A todos os que aqui algum dia me leram - a grande maioria pessoas cujas vidas ignoro em absoluto - deixo o meu muito obrigado e um abraço fraterno.
Jorge
Jorge
