Este fim-de-semana, apesar do frio intenso que se tem feito sentir, decidi, mais não fosse para não deixar descarregar a bateria, uma vez que há mais de duas semanas que não punha a mota a trabalhar, dar um giro pelas redondezas; mas o pior dos meus temores concretizou-se: chegado à garagem, já todo equipado para sair, a bichinha não pegou. Como não é viável empurrar uma mota com mais de 220 kgs até à oficina, e percebendo eu népia de carregadores de baterias, tudo para mim coisas esotéricas, lá tive de chamar uma furgoneta especial para a transportar para o representante da marca.
Especialistas que são na venda e reparação de motas multi-marcas, e também na prática de preços exorbitantes, do representante, já me foram avisando por telefone: 'Olhe, dr., pode não ser só da bateria... pode ser uma avaria na parte eléctrica, na peça *****, mas uma bateria nova vai ter de levar com toda a certeza; e também uma ficha para manter a bateria ligada ao carregador sempre que passe algum tempo sem a colocar a trabalhar. As máquinas com este frio não se querem paradas! Quando soubermos alguma coisa de concreto ligamos-lhe'.
Esta conversa teve lugar na segunda-feira ao fim do dia e até hoje nunca mais me deram noticias sobre o estado de saúde da mota. Os pessimistas por (de)formação, como julgo ser o meu caso, estão quase sempre mais próximos da verdade do que os optimistas crónicos, por isso não imagino que outra coisa possa estar a acontecer que não seja estar a dita empresa a preparar-se para adicionar, na folha-de-obra que eu assinei, uma conta choruda de euros.
Há quem tenha como passatempo a caça, a pesca, o jogo, a bebida, ou o futebol. Uns hobbies são mais caros ou mais nefastos para a saúde do que outros, mas todos são entretenimentos legítimos de quem trabalha para os poder manter. E apesar das máquinas com este frio não se quererem paradas, com os tempos negros que se avizinham, em caso de necessidade, não tenho quaisquer dúvidas sobre onde começarei por abdicar.